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O QUE É NEFRITE?
Nefrite (também chamada glomerulonefrite) é um termo usado para descrever enfermidades renais, nas quais a parte filtrante do rim (glomérulo) está inflamada.

Existem tipos diferentes de nefrite?
Sim. Existe a nefrite (glomerulonefrite aguda) e a nefrite crônica (glomerulonefrite crônica). No primeiro caso, há uma tendência para a melhora espontânea. E na forma crônica ocorre uma lesão progressiva dos rins. Sinais da doença podem ser a presença de proteína e sangue na urina e habitualmente uma elevação da pressão arterial. No Brasil, a nefrite crônica é a causa mais comum da insuficiência crônica dos rins, causando uma enfermidade terminal nestes órgãos, a qual habitualmente termina em diálise.

O que é síndrome nefrótica (nefrose)?
A síndrome nefrótica, também chamada de nefrose, é um termo usado para descrever uma condição na qual existe grande perda de proteína na urina, habitualmente em associação com níveis reduzidos de proteína no sangue. Além disso, há um aumento da concentração de colesterol no sangue e retenção de líquidos (edema). Pode ser secundária a uma doença primária dos rins ou uma complicação de uma enfermidade sistêmica.

Quais são os sintomas e sinais de uma nefrite aguda?
Nefrite aguda é habitualmente uma doença de crianças, mas pode ocorrer em qualquer idade. Nos homens ocorre mais freqüentemente que nas mulheres. Mais ou menos 10 dias após o início de uma infecção de garganta ou de pele, o paciente freqüentemente notará uma diminuição da quantidade de urina que muda de cor se tornando no tom coca-cola ou chá forte. Pode haver uma sensação de queimação ao urinar. Há retenção de líquido que tipicamente envolve a face, as pálpebras e mãos. Isto é melhor, percebido pela manhã, ao se levantar. Falta de ar e tosse podem ocorrer devido a congestão de líquido nos pulmões. Um aumento da pressão arterial também é comum.

Existem várias outras doenças sistêmicas e hereditárias que podem produzir sintomas similares a uma nefrite aguda. Um exemplo é o Lupus Eritematoso. Também outras doenças renais de causas desconhecidas podem produzir sintomas similares e estas são chamadas de glomerulonefrite membranoproliferativo, nefropatia por IgA, etc.

Qual é a causa da nefrite aguda?
Os pacientes com nefrite aguda freqüentemente têm evidência de uma infecção recente. E a mais comum é uma infecção por estreptococo da garganta ou da pele. Existem, no entanto, outras bactérias e infecções virais que podem estar associadas a uma nefrite aguda.

Quais são os sintomas e sinais de uma nefrite crônica?
A maior parte das doenças que causa nefrite crônica tem uma evolução longa. Habitualmente há períodos sem nenhum sintoma. Durante esse tempo, no entanto, há uma lesão progressiva dos rins. Nas fases iniciais freqüentemente são detectadas apenas anormalidades no exame de urina (por exemplo, sangue na urina, proteína na urina). Hipertensão arterial pode ser detectada especialmente quando já existe uma diminuição da função renal. Com a progressão da doença existe inchaço das pernas (edema) e pressão alta persistente. Hipertensão arterial (pressão alta) é freqüentemente difícil de ser tratada. Sinais de insuficiência renal crônica (uremia) são notados quando existe uma perda importante da função renal. Estes sinais são:

1. perda de apetite;
2. náuseas e vômitos;
3. fadiga extrema, mesmo após uma noite bem dormida e perda importante da energia;
4. dificuldade em dormir;
5. prurido e pele seca;
6. câimbras, especialmente à noite.

Quais são as causas de nefrite crônica?
Existem várias causas, mas ocasionalmente uma nefrite aguda pode ter uma fase silenciosa depois do quadro agudo e aparecer muitos anos mais tarde como um problema crônico. Muitas causas da síndrome nefrótica (nefrose) algumas vezes causam lesões do rim, típicas de uma nefrite crônica, particularmente quando a nefrose não responder ao tratamento.

Como é feito o diagnóstico de nefrite?
Os sinais e sintomas mencionados são as primeiras pistas para o diagnóstico. Na nefrite aguda, exames de sangue podem indicar uma infecção estreptocócica recente. Outras formas desta enfermidade são detectadas através de exames de sangue especiais, revelando o tipo de lesão que ocorre no rim, sem, contudo, indicar a sua causa exata. Além disso, culturas da garganta, da pele ou de outras áreas de infecção local identificam a bactéria responsável pelo problema. O exame de urina pode mostrar a presença de sangue, proteínas e outros elementos. Outros exames de sangue que indicam inflamações nos rins podem mostrar quanto da função renal foi perdida.

Freqüentemente é necessário se fazer uma biópsia do rim (remover, sob anestesia local, um pequeno pedaço do tecido renal através de uma agulha especial), para estabelecer o diagnóstico exato e determinar a evolução do paciente, a curto e longo prazo. Algumas vezes este procedimento também é necessário para que o médico planeje o melhor tratamento possível.

A nefrite pode ser prevenida?
Não é possível se prevenir uma nefrite aguda, exceto através de uma boa higiene de pele. Mantendo-se a pele limpa, diminuem-se as chances de se adquirir uma infecção mais séria. Não existe nenhum bom método de se evitar uma infecção da garganta. Como a nefrite crônica representa uma variedade enorme de enfermidades, não há como se prevenir o aparecimento da doença.

Que tratamento existe para a nefrose (síndrome nefrótica)?
Em alguns casos de síndrome nefrótica, o tratamento com medicamentos como a cortisona reduzirá significativamente a quantidade de proteína perdida na urina. Em outras formas a cortisona não parece ser útil. Nesses casos, o tratamento consistirá no uso de diuréticos para controlar o inchaço e a pressão alta.

Que tratamento existe para a nefrite?
Não existe um tratamento específico para a nefrite aguda. A doença estará habitualmente sanada em três a doze meses depois do início. Tanto na aguda como na crônica, é muito importante controlar a elevação da pressão arterial, pois o seu descontrole pode levar a uma perda rápida da função do rim. Diuréticos são freqüentemente utilizados para controlar o excesso de retenção de líquidos.

Na nefrite crônica, cortisona e outras drogas têm sido utilizadas, embora este tratamento na maioria das vezes não seja bem sucedido. Quase sempre a restrição de proteína, sal e potássio na dieta são partes importantes na dieta prescrita. Uma supervisão do médico é necessária para que se possa tratar as complicações da enfermidade renal crônica.

A Fundação Pró-Renal está à sua disposição para fornecer informações adicionais sobre os diferentes tipos de tratamento para as pessoas cujos rins apresentam alguma enfermidade ou algum grau de insuficiência e poderá indicar os programas disponíveis na sua comunidade.



Dr. M.C. Riella
Médico Nefrologista - CRM 2370 PR